Quarta, 03 Setembro 2008

Incertezas futuras e a ética

Por indicação de um colega, Arthur de Bem, analisaremos a seguinte charge:

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(Clique na imagem para ampliar).

Na tira, publicada no último sábado (30/08) no Diário Catarinense/SC (DC), Zé Dassilva, chargista do DC além de trabalhar na produção de séries como Toma lá, da cá, da Rede Globo, relembra momentos de sua vida:

"1991: Calouros, eu e dois amigos que estudavam engenharia dividimos um apê!
- Fazendo Jornalismo... Vai trabalhar na Globo, hein, Zé?
- Nunca!

Um deles, não sei se pelo fato de ser maçom, era bem mais instruído do que eu!
- Duvido! É só chamarem que você vai!
- Besteira!

Hoje, toda vez que chego no Projac, lembro dele!
- Se o Júlio me visse agora, ia rir muito da minha cara!".


Quantas vezes, durante o curso de Jornalismo, não nos deparamos com situações como esta: de que fulano ou cicrano não suportam a idéia de trabalhar em determinada emissora ou empresa. Até eu, até os idos de minha segunda fase - ou segundo período - de faculdade, imaginava a mesma coisa.

Não se pode afirmar o que faremos no futuro, porém. Apesar dos pesares, a Globo, por exemplo, possui excelente estrutura, aparelhagem técnica e profissional. É claro que ética não é algo que esteja intrínseco em qualquer empresa. Aliás, a ética pode aparecer e se fortalecer em pequenas empresas. E mais: a ética deve estar instalada em nós mesmos.

Então, o que vale mesmo é seguir os rumos, por mais teóricos que sejam, da profissão. E não agir de acordo com X ou Y porque é editor, patrão, etc. Mais vale uma consciência tranqüila ao dormir, do que andar de mãos dadas com o sucesso e a corrupção.

É certo que tal empresa jornalística já praticou muitos atos duvidosos durante sua 'vida'. Outras emissoras que apareceram também surgiram com ideais e hoje praticam atos semelhantes ou iguais em ilicitude. Em todos os setores da sociedade, seja em órgãos privados ou públicos, encontramos fatos ou pessoas ilícitas, corruptas, as ditas "topa tudo por dinheiro". Mas, basta que o profissional em questão se proponha a agir corretamente, e não importará o lugar no qual atuar, sua integridade o acompanhará e será reconhecido no meio em que atua. Apenas para refletir.

Saúde financeira e física

66cb35e89ef2fe5150690476bce405e5.jpgA edição de setembro da revista Seleções Reader's Digest traz uma matéria interessante sobre o que quatro famílias destinam, financeiramente, para a compra de alimentos. Baseados no dito "uma imagem fala mais que mil palavras", a matéria "Um mundo de comida", de Peter Menzel e Faith D'Aluisio motra pessoas dos Estados Unidos, México, China e Sudão, as quais apresentam a quantia que destinam, mensalmente, para a compra de alimentos. Os dados foram colhidos entre 2001/2005, com os preços correntes à época.

O que se quis mostrar na matéria, no entanto, é que tipo de comida eles compram. E a discrepância se fez, principalmente ao comparar a família norte-americana à sudanesa. Veja os dados (convertidos para o Real):

Família Revis - Estados Unidos: R$581,37
Alimentos: grande parte proveniente de redes fast-food, além de industrializados. A família é composta de quatro integrantes (os pais e dois filhos).

Família Casales - México: R$321,45
Alimentos: Balanceado, entre verduras, frutas, legumes e industrializados.
Componentes da família: cinco pessoas (os pais e três crianças).

Família Cui - China: R$97,36
Alimentos: Sobretudo verduras, legumes, frutas, assim como carnes, ovos e pouquíssimos indutrializados. Boa parte dos vegetais são plantados pela própria família (com seis integrantes, sendo cinco adultos e uma criança), que também pratica escambo para conseguir outros alimentos.

Família Aboubakar - Sudão: R$2,09
Alimentos: Ração recebida pelas Nações Unidas que, de acordo com a matéria, são "... avaliadas em R$41,43 por semana". Os R$2,09 são gastos com condimentos para o preparo de um mingau grosso feito com a ração. A família, composta de seis pessoas (a mãe e seus cinco filhos), come três vezes ao dia.

Comentários?

BBC Brasil: Warner processa produtora por filme de 'Hari Puttar' - análise de uma manchete

Ao receber a newsletter da BBC Brasil em meu correio eletrônico (nossa, quanta formalidade!), deparei-me com esta manchete. Na hora, julguei se tratar de algum plágio ou paródia brasileira do famoso filme Harry Potter. Mas não! Trata-se de um filme indiano e que não possui, aparentemente, semelhança com o filme do bruxinho, a não ser no nome. Leia:

06c3d25afb69f32c59f6ec71fc7315e6.jpgAtualizado às: 25 de agosto, 2008 - 21h01 GMT (18h01 Brasília)
Warner processa produtora por filme de 'Hari Puttar'
Os estúdios Warner Bros, que produzem os filmes da série Harry Potter, estão processando a empresa produtora de cinema indiana Mirchi Movies pelo filme intitulado Hari Puttar - A Comedy of Terrors.

Segundo a revista The Hollywood Reporter, a Warner Bros afirma que o nome do filme indiano é muito parecido com os da série do bruxinho.

"Nós iniciamos recentemente os procedimentos contra as partes envolvidas na produção e na distribuição de um filme intitulado Hari Puttar", disse à The Hollywood Reporter a porta-voz da Warner Bros, Deborah Lincoln.

"A Warner Bros valoriza e protege os direitos de propriedade intelectual", afirmou. "No entanto, é nossa política não discutir publicamente os detalhes de qualquer processo litigioso em andamento."

Há informações de que o caso irá a julgamento em Mumbai, onde fica a sede da Mirchi Movies.

Microchip secreto

Hari Puttar tem estréia prevista para 12 de setembro na Índia.

O filme, dirigido por Rajesh Bajaj e Lucky Kohli, conta a história de um menino de 10 anos de idade que se muda para a Inglaterra com seus pais e acaba se envolvendo em uma batalha por um microchip secreto.

Hari é um nome comum na Índia, e Puttar significa filho em Punjabi.

"Nós registramos o título Hari Puttar em 2005 e é uma pena que a Warner tenha decidido iniciar um processo tão perto da estréia do filme", disse à The Hollywood Reporter o representante da Mirchi Movies, Munish Purii.

"Eu não acho que nosso título tenha qualquer semelhança ou relação com Harry Potter", completou.

(...)

Terça, 02 Setembro 2008

CQC Top Five 01/09

Para quem não pôde assistir ontem (01/09) o Top Five, do Custe o Que Custar (CQC), veja abaixo. Disponível no Youtube:



Em 5º lugar: a mulher filé e o 'sim';
Em 4º lugar: Jornalista esportiva da TV Gazeta ainda está em 'clima' de Olimpíadas;
Em 3º lugar: Raul Gil, da Band, e seu novo protótipo de Maísa;
Em 2º lugar: Polícia indiana e sua nova 'terapia ocupacional';
Em 1º lugar: Jornal do SBT apresenta Obama e seu 'relacionamento' com o vice candidato à Presidência norte-americana.

20:31 Escrito em TV | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: Top Five, CQC

CQC - Em Foco

Um dos novos quadros apresentados pelo programa Custe o Que Custar, da Band, é Em foco, apresentado pelo igualmente novo 8º elemento do programa, Warley Santana. Atacando como assessor de imagem, o homem de preto do CQC leva políticos e outras personalidades a cometerem gafes, sem se darem conta.

O recurso empregado é a apresentação do que é gravado em off, feito sem a autorização prévia do entrevistado. É errado? Sim, se formos colocar quanto ao trabalho ético, mesmo que estejam fazendo em prol da sátira. Mas o fazem sem o entrevistado saber.

O que mais me admira é ver que, com o intuíto de ganhar visibilidade, políticos nem se dão ao trabalho de averiguar a procedência do profissional, o canal em que atuam, etc. Demonstra, portanto, um 'bom' trabalho feito por seus assessores de imprensa / comunicação.

Veja o segundo episódio do programa, exibido ontem (01/09), no qual Warley entrevista José Genoíno, petista que foge do CQC como o diabo foge da cruz. Disponível no Youtube:

Xuxa perde até para Maísa

Após alguns anos sumida da grade Global, Xuxa retorna. E é novamente colocada na geladeira para dar lugar às Olimpíadas em Pequim.

E mais: quando pensávamos que a então "Rainha dos Baixinhos" iria conseguir se reerguer, eis que uma apresentadora mirim, do SBT, consegue bater seu Ibope. Para Rafinha Bastos, do Custe o Que Custar (CQC-Band), àquela que pode ser um 'androíde', está cativando corações.

A notícia está sendo veiculada em diversos sites, como UOL, Meio Norte, entre outros, mas foi originalmente publicada pelo site O Fuxico, que tem um recanto cativo no SBT (será que, por isso, ela bateu Xuxinha?). Veja:

157667c3797f36165f563522c9d654cd.jpgMeio Norte: Maísa leva a melhor e bate audiência de Xuxa
O TV Xuxa marcou 9 pontos e a atração do SBT atingiu 10 no mesmo horário
01/09/2008 - 13h53 Atualizada em 01/09/2008 - 14h00
O Fuxico

No último sábado (30), o TV Xuxa retornou à grade de programação da Globo, pela manhã. No mesmo período em que competiu com o Sábado Animado, da menina Maisa, de seis anos, do SBT, a atração de Xuxa perdeu a liderança, segundo dados consolidados do Ibope, na Grande São Paulo.

O TV Xuxa, que estava fora do ar desde julho, devido aos jogos olímpicos, foi exibido das 10h30 às 11h58, marcando 9 pontos de média. Nesse mesmo período, a atração infantil do SBT atingiu 10 pontos, ficando na liderança.

Já na média geral, o Sábado Animado, exibido das 7h às 12h29, ficou empatado com a Globo, dividindo a primeira posição, com 8 pontos.

E a garota-prodígio do SBT não ficou por aí. A atração comandada por Maisinha também bateu o SPTV - 1ª edição, da Globo, no período em que o jornalístico ficou no ar com ela, das 11h59 às 12h35, marcando11 pontos contra 10 da concorrente.

Vale lembrar que cada ponto no Ibope representa cerca de 55,5 mil domicílios, na Grande São Paulo, dados que servem como referência para o mercado publicitário.

A era da Insensatez

Recebi este texto em Power Point. Separei para vocês alguns questionamentos explícitos.

Ps.: Não sabemos a autoria do PPS / texto. Caso alguém saiba, favor identificar e daremos os devidos créditos.

Existem os olhos, e existe o olhar...

- O Reverso da Mídia - (ou A Era da Insensatez)

Os apresentadores do Jornal Nacional e do Fantástico fazem pose de preocupados quando o assunto é aquecimento global e crise ambiental, porém, a mídia televisiva, mais do que qualquer outra, estimula incessantemente o consumismo, e quão pouco faz para conscientizar...

(...)

Não estranhe se amanhã, na abertura do Jornal Nacional, anunciarem o velório da coerência,

“Consumo, logo existo.”

Na sociedade consumista, quem não consome não existe. Triste tempo o nosso...

William Bonner equiparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson, - um sujeito preguiçoso, burro, que adora ficar no sofá, assistindo tevê, comendo rosquinhas e bebendo cerveja, e que só dá mancadas na vida.
O mais preocupante, porém, não é o fato de termos como editor-chefe e apresentador do maior telejornal do país alguém que nivela milhões de telespectadores com “Homer Simpson”...

A pergunta que devemos nos fazer é:
- E se William Bonner tiver razão? Como foi que alcançamos tal condição, e a quem interessa que continuemos assim...?

(...)

No Brasil, segundo o Ibope, as pessoas vêem, em média, cinco horas de tevê por dia.

(...)

O sonho dos atuais diretores televisivos é ter como audiência uma imensa massa acrítica, sem uma real capacidade de análise. Um público que não pensa, que não questiona, que é facilmente manipulado, que compra quando e o que lhe mandam comprar...

Por lei, as emissoras são obrigadas a incluir programas educativos na sua programação. A educação leva a um consumo consciente, diminuindo o faturamento das emissoras. Porém, tais programas são relegados a horários de pouquíssima audiência. Globo Ciência e Globo Ecologia passam, por exemplo, de manhã, quase de madrugada, a partir das 6:30h. Quanto mais se anular o “sujeito pensante”, maior o lucro imediato...

(...)

E chega mais um domingo, e o que já era ruim consegue a proeza de piorar ainda mais... O que dizer do Domingão do Faustão?

“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão, que ensina a desprezar o distante.”
Millôr Fernandes

(...)

“Países desenvolvidos vêm estabelecendo políticas restritivas para o anúncio de bebidas alcoólicas, inclusive cerveja, preocupados com a saúde da população em geral e dos jovens em particular. Tais restrições ocorrem pela simples e óbvia valorização da vida...”

Segundo levantamento realizado pela PUC/RS, os acidentes de trânsito, nas estradas e nas vias urbanas, resultam em mais de 80.000 mortes por ano no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, pelo menos metade destes acidentes estão relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas.

(...)

E o que dizer de Pedro Bial, quando se dirige aos participantes do Big Brother chamando-os de “nossos heróis” e “nossos mártires”? (Quão deturpados os conceitos de heroísmo e martírio transmitidos. A que ponto chegamos...)

Escola pública localizada no sertão pernambucano.
Não há acabamento nas paredes.
O banheiro está interditado.
Há um ano sem merenda escolar.

Não seria mais sensato qualificar de heróis e mártires os nossos professores...?

Eles que, quase sem nenhum reconhecimento, e em condições tão adversas, tentam manter acesa a chama do saber e do conhecimento. Muitas vezes obrigados a percorrer longas distâncias a pé para chegar à sala de aula... Heróis e heroínas são também os pequeninos alunos com seus chinelos gastos, Bial, junte a produção do BBB, e vão assistir ao documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, do diretor João Jardim, que aborda a situação da educação no Brasil. (é o mínimo que formadores de opinião deveriam fazer...) seja no sertão nordestino, seja nas periferias de qualquer capital... Quem sabe o próximo “reality show” possa mostrar a dura realidade de muitos professores e alunos da rede pública, aí sim teríamos um show de realidade...

(...)

“Admitir ver o ‘Big Brother Brasil’ significa cada vez mais confessar uma falha de escolaridade, passar recibo de fútil, solitário, imaturo, ‘low class’. Nunca deu status para ninguém acompanhar esse programa. Só queima o filme. Fuja de gente viciada nisso.”
Folha de São Paulo

Já foi dito que o teatro é a arte do ator, o cinema, a arte do diretor, e a televisão, a arte do patrocinador. A televisão funciona como um intermediário entre a agência de propaganda, que quer vender o seu produto, e a audiência, o telespectador. A tevê existe por causa do intervalo.

Enquanto professores e escolas se esforçam para formar cidadãos, a televisão fabrica consumidores.

(...)

“A televisão foi a maior tragédia que aconteceu à humanidade, e não tem comparação com nenhuma guerra.”
Valdemar Setzer
Professor da USP

Em outubro, mês das crianças, o valor gasto no Brasil em publicidade dirigida ao público infantil foi de aproximadamente R$ 210 milhões. Neste mesmo período, foram investidos no Programa Federal de Desenvolvimento da Educação Infantil (FNDE) cerca de R$ 28 milhões.

A televisão transforma crianças da mais tenra idade em consumidores.

“A cada interrupção de seus desenhos, continua a fazer seu catálogo mental, um rol infindável de desejos:
- o tênis com rodas, armas poderosas de super-heróis inacreditáveis ("mamãe, você sabe que com isso vira Power Ranger de verdade?"), mais tocadores de MP3, celulares ("mamãe, isso é de criança? Se for, eu quero"), videogames e até títulos de previdência privada anunciados como se fossem pirulitos.”

“Não há refúgio: até mesmo nos canais pagos com preocupações ditas educativas, a disputa pela hora em que a criança formula o desejo de ter algo que precisa ser comprado pelos pais é implacável. Por ora, suponho, tenho sorte. Nos ajeitamos lá em casa, mas não sei até quando esse armistício dura...”

Especialistas em comportamento infantil têm constatado mudanças significativas provocadas pela exposição massiva e precoce à publicidade. Segundo constatado, dentre as primeiras palavras pronunciadas, as primeiras intenções de transmitir uma mensagem verbal, já aparece a palavra “compra”...
Pesquisa realizada com crianças de nove anos de idade, de escolas particulares da cidade de São Paulo, revelou que elas trocam, em média, seus aparelhos celulares a cada seis meses, por novos lançamentos. Este consumismo desenfreado, que nos tem conduzido à iminência de um colapso ambiental, é apenas um dos efeitos maléficos da televisão.

Bens materiais perderam seus valores intrínsecos, passando a ser vistos como objetos de ostentação. Será que uma criança de nove anos tem necessidade de um aparelho celular?

Diante da tevê, o telespectador está fisicamente inativo. Dos seus sentidos, trabalham somente a visão e a audição, mas de maneira extremamente parcial. Os olhos, por exemplo, praticamente não se mexem. Os pensamentos estão praticamente inativos: não há tempo para raciocínio consciente e para fazer associações mentais, já que a atividade cognitiva está muito lenta. Isso ficou provado em pesquisas sobre os efeitos neurofisiológicos da tevê. O eletroencefalograma e a falta de movimento dos olhos de uma pessoa vendo televisão indicam um estado de desatenção, de sonolência, de semi-hipnose.

O piscar da imagem, os estímulos visuais exagerados e contínuos, e a passividade física do telespectador, especialmente seu olhar fixo, fazem com que o cenário seja semelhante a uma sessão de hipnose.

Na leitura, é preciso produzir uma intensa atividade interior: num romance, imaginar o ambiente e os personagens; num texto filosófico ou científico, associar constantemente os conceitos descritos.

A tevê, pelo contrário, não exige nenhuma atividade mental:
- as imagens chegam prontas, não há nada para associar. Não há possibilidade de pensar sobre o que está sendo transmitido, porque as velocidades das mudanças de imagem, de som e de assunto impedem que o telespectador se concentre e acompanhe a transmissão conscientemente. Uma condição similar à da hipnose.
Tudo isso significa que o telespectador está num estado de consciência que têm os animais quando não são atraídos por uma atividade exterior (como caçar, prestar atenção em um possível perigo, procurar alimento, etc.).

“A televisão mata a imaginação e leva ao estado hipnótico.”
"Na tevê não há aprendizado, há condicionamento.”
Valdemar Setzer
Professor da USP

Infelizmente, a televisão vem ocupando um crescente papel na transmissão dos caminhos da infância. As emissoras e os anunciantes assumiram tal incumbência pensando no seu próprio lucro imediato, e não nas crianças ou no futuro da nação.

Além de condicionar um consumismo desenfreado, estudiosos listam, ainda, dentre as influências maléficas da televisão:
- sobrecarga sensorial, sendo que a tevê hiperestimula o cérebro e faz com que se perca o costume de prestar atenção em atividades que exigem uma concentração maior, tais como ler, jogar xadrez ou assistir às aulas;
- indução a comportamentos violentos;
- desencadeamento de uma sexualidade prematura, artificial e doentia.

Lembre-se de que o exemplo é o mais forte dos ensinamentos. Não podemos restringir o tempo de televisão de nossos filhos sem reduzir o nosso próprio. Além do que, a cultura comercial e consumista é ruim para as crianças, e também para nós adultos: ao protegê-las, poderemos também nos libertar.
- Limite sua própria permanência frente à televisão. Dê um bom exemplo através de sua moderação e discriminação ao assistir programas;
- Torne-se um alfabetizado na mídia, avaliando criticamente a programação e as publicidades veiculadas;
- Não transforme a tevê no ponto central da casa. Evite colocar a tevê no lugar mais importante;
- Ligue a tevê somente quando houver algo específico que você decidiu que vale a pena assistir;
- Evite usar a televisão como se fosse uma babá para seus filhos.

Maria Teresa Rocco, professora da Faculdade de Educação da USP e estudiosa da televisão há mais de 20 anos, aconselha uma exposição diária de, no máximo, 45 minutos. Se atentarmos para o fato de que a criança brasileira passa em média cinco horas por dia em frente à tevê (Ibope), quanta influência da mídia ela sofre?

(...)

“Só teremos um país de verdade no dia em que gastarmos mais com escolas do que com televisão, isto é, no dia em que gastarmos mais com a educação do que com a falta de educação.”
Millôr Fernandes

Ele defendia a instituição da educação em tempo integral no país. Dizia que a escola em turnos é uma perversão brasileira, e que, enquanto num turno a escola educa a criança, no contra-turno a tevê deseduca. Como se pode prosseguir assim?

“Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem: a salvação dos índios, a escolarização das crianças... Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas”.
Darcy Ribeiro

Por quanto tempo, ainda, iremos ignorar os conselhos e o inestimável legado, por implementar, de Darcy Ribeiro e de todos os grandes educadores e humanistas? Por quanto tempo, ainda, iremos permitir que os senhores globais nos tratem como se fôssemos “Homer Simpson”? Por quanto tempo, ainda, iremos permitir que Faustão, Gugu, Tiririca e Pedro Bial “eduquem” as nossas crianças...? Sabendo que o compromisso deles é com os anunciantes, o seu trabalho, impulsionar as vendas.

Eficientes campanhas publicitárias nos fazem acumular um acervo de ornamentos e adereços absolutamente dispensáveis (como a constante troca de aparelhos de celular).
Vender ou não vender um produto é simples questão de marketing. Basta saber provocar no consumidor o “desejo de consumo”.
Que infância estamos construindo?

Lembre-se de que a criança só fica alegre quando recebe alguma coisa de seu interesse: seja um bem material, como um presente ou um bem imaterial, como atenção, respeito, carinho. E, dentre estes dois bens, certamente é o imaterial que ocasiona a felicidade verdadeira, duradoura e genuína. Basta rememorarmos a nossa própria velha infância... Quais as lembranças mais caras que ficaram guardadas da tua infância?

“É um ser que deve ser valorizado em sua singularidade. Cada ser é único, essa é sua riqueza, por isso somos todos tão preciosos. Essa banalização do amor, da violência, do sexo, da solidão, essa banalização da vida que a gente vê na tevê é a própria negação da arte. A vida passa a perder importância.”
Alcione Araújo, escritor

O processo de produção televisivo é a própria negação da arte, uma vez que procura gerar uma cultura de massa, com vistas a vender o produto do anunciante. Procure familiarizar teus filhos e netos, desde a tenra idade, com a riqueza da arte, teatro, literatura, música, artes plásticas... O livro é um tesouro, tesouro maior, o livro lido. O que falta para a gente mudar o ângulo do olho e perceber as belezas que estão à nossa volta? Desligue a tevê, e torne a vida num lugar melhor...

(...)"

Domingo, 31 Agosto 2008

Aniversário blog A Jornalista - Visitas

Para encerrarmos a semana, gostaria de agradecer as 1.314 visitas registradas no mês de agosto!

Obrigada pelo carinho e apreço!

Uma boa semana e um bom fim de domingo.

Samira

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Brothers: mais uma 'desnovidade' na TV Aberta

Como se a TV Aberta já não estivesse saturada de futilidade, a emissora Rede TV! lança mais um enlatado para a trupe de programas 'in'úteis da televisão brasileira. Brothers, apresentado aos sábados, é comandado pelos irmãos Supla e João Suplicy. Uma variedade de 'opções' são apresentadas, com pegadinhas, micos, pseudoreportagens, muita mulher e nada de sério. Não será mera coincidência se as pessoas associarem o novo programa com os já existentes Pânico na TV, da mesma emissora; Zorra Total da Globo e sua vã tentativa de fazer rir, entre outros.

Para não dizer que não há nada diferente, os caras são bons não só na simpatia, mas em um ponto distinto: músicos, eles dividem alguns blocos do programa cantando desde Bossa Nova até rock. Nisso, há que se bater palmas, afinal, não ouvimos costumeiramente música boa na TV Aberta.

Ao trocar de canal - TV Brasil - eis que me deparo com mais um debate apresentado no excelente Ver TV, produzido pela TV Câmera. O objetivo do programa é discutir a mídia, imprensa e meios de comunicação. E eis que os presentes debatiam o conteúdo da TV Aberta aos domingos. Sábado também não sái perdendo em sensacionalismo e futilidade. E Brothers vem para brindar seus 'companheiros' de aventuras chulas aos fins de semana.

Leia mais em:
- Globo / Revista da TV: Irmãos Suplicy investem na interatividade em 'Brothers', novo programa da Rede TV!
- Poltrona: Nem Supla e João Suplicy salvam Brothers

Sábado, 30 Agosto 2008

Desinformação: uma vida de cão

Nesta semana na qual comemoramos os dois anos do site, quero deixar uma mensagem sobre desinformação.
Não podemos afirmar que a grande imprensa, às vezes dita como o quarto poder, é a única culpada pela cegueira crítica da sociedade. Desse modo, também não podemos afirmar que o governo é o único responsável pela falta de educação do brasileiro. Pode o ser no que concerne a não oferecer educação básica, fundamental, média e superior de qualidade a população. Mas no quesito 'educação' moral e civil, cada um de nós a aprendemos, de acordo com aquilo que é repassado em nossos lares, pelos nossos familiares e amigos.

Há dois dias venho observando uma cena incomum e trágica, em minha opinião, na frente de minha residência aqui em Florianópolis/SC. Deixaram, provavelmente no meio da noite, um filhote de cachorro na frente de minha casa. Pela manhã, acordei com os ganidos famintos do filhote, muito bonito por sinal.

Meu instinto fraternal falou mais alto e não pude apenas ignorar os latidos desenfreados, quase miados - apesar da contradição -, do filhotinho. Aqui em Florianópolis vivemos um clima louco, com direito ao famoso vento sul, um vento muito forte. Pois o filhote estava morrendo de frio com o vento, além de fome. As horas foram se passando e eu ficava aflita cada vez que ouvia o bicho.

Para aqueles que lêem, bastava que eu o pegasse, não é isso? Não. Não é tão simples assim. Eu não moro em residência própria, moro com meus sogros. Portanto, deveria obter autorização para manter o bicho comigo. Além do mais, o meu cunhado já tem uma cachorra, um labrador, que também latia junto com o filhote, cada vez que o ouvia. Há ainda o agravante de que estou grávida, e as grávidas sabem que temos que tomar cuidado com a dita Toxoplasmose.

Pois bem. Esperei alguns minutos, peguei uma latinha, enchi de leite; depois peguei um pouco de ração da cachorra que temos e coloquei em um recipiente; após isso, peguei um pedaço de pano e uma caixa razoável, para o filhote se manter aquecido. E fui à luta. Ele, muito pequeno, não hesitou em mostrar-me os dentes furiosos. Mas quando viu que eu trazia um pote de leite e ração, logo se deixou aliciar. Em nenhum momento toquei nele, por mais que quisesse. Fiquei vendo-o comer, com voracidade, como se há muito não o fizesse.
Entrei para casa e procurei pela internet programas sobre o bem estar animal, entre outros. Achei um número e iria ligar, porém só trabalhavam durante a tarde. Tive que sair antes, e não pude fazê-lo, mas prometi a mim mesma que o faria, assim que retornasse para casa. Quando voltei, o filhote havia sumido. E a caixa também. Logo achei que alguém pudesse ter pegado o bichinho, e me senti feliz por saber que ele provavelmente encontrara um dono.

No dia seguinte, pela manhã, ouvi novamente os ganidos do cachorro. Pois quem havia pegado ele estava a deixá-lo novamente no mesmo lugar que o encontrara. Eram três crianças e uma mãe. Uma das meninas queixava-se em abandonar o bichinho, enquanto a mãe gritava para ela o largar e deixá-lo lá, enquanto fugiam em disparada num carro. Logo após, uma das vizinhas de minha rua pegou o bicho e o levou para dentro de seu automóvel, sabe Deus para onde.

Se ele ficasse, eu ligaria para uma das ONG's que encontrei, para que o adotassem. Mas nada pude fazer. E por desinformação, as mesmas pessoas que pegaram o animal simplesmente queriam se livrar dele. Por que também não buscaram por ONG's, que há muitas por aqui, para adotarem o bicho?

Aqui em Florianópolis é comum ver cachorros abandonados pelas ruas. No verão é comum ver até cães de raça abandonados pelas ruas. Os donos, no comodismo de irem para suas casas de praia, simplesmente deixam seus bichos em casa e os esquecem. Isto quando eles mesmos não fogem, por terem ficado sós e sem comida.
Por que, ao invés de o abandonarem novamente, por que não buscaram ajuda de órgãos em prol dos animais? Por desinformação.

A culpa é das instituições, que não se pronunciam? Não. Recentemente, foi feita grande campanha, com direito a busdoor pela cidade, falando a respeito do abandono dos animais e de ONG’s especializadas. Mas as pessoas simplesmente não dão a mínima. Abandono de animais é crime, de acordo com a lei federal n.9.605/98.

Isto é culpa da imprensa? Talvez. No entanto, vez ou outra já li reportagens a respeito em jornais.
Quanto ao governo, por pior que pareça, ainda tentam fazer algo ao criarem os Centros de Controle de Zoonoses. Antes, eram considerados matadouros de animais abandonados. Contudo, as organizações em prol dos animais cada dia mantêm acompanhamento aos CCZ’s, para evitarem que maus tratos sejam praticados contra os bichos.

No mais, só resta imaginar que essas pessoas simplesmente não dão a mínima para cachorros, gatos e companhia por não terem sido educadas para isso, ou terem sido educadas para cuidá-los quando lhe convêm e, depois, abandoná-los.

Fica para vocês a reflexão. A desinformação está em todos os âmbitos da sociedade.